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28 de maio de 2026Dia da Biodiversidade: conheça 6 espécies de animais de Itapoá e região
O Dia Nacional da Biodiversidade reforça a importância de reconhecer, proteger e compreender a diversidade de espécies que sustentam o equilíbrio dos ecossistemas brasileiros. Em um país considerado um dos mais biodiversos do planeta, a data é também um chamado à responsabilidade coletiva na preservação dos habitats naturais e das relações ecológicas que garantem a continuidade da vida.
Nesse contexto, a Reserva Volta Velha, onde foram realizadas as compensações florestais do Porto Itapoá, destaca-se como um importante refúgio de biodiversidade no litoral norte de Santa Catarina. A área possui 285 hectares e integra um complexo de preservação conectado a uma reserva municipal, formando um contínuo de vegetação nativa que funciona como um verdadeiro bolsão de vida selvagem.
Além da proteção territorial, o Porto Itapoá realiza um monitoramento ambiental (no âmbito do processo de licenciamento junto ao IBAMA), que inclui o acompanhamento da fauna terrestre e marinha, da qualidade da água e de outros indicadores ambientais essenciais. Essas ações reforçam o compromisso com a conservação e com a manutenção do equilíbrio ecológico na região.
Nesse cenário, o Dia da Biodiversidade é uma oportunidade para conhecer algumas das espécies que habitam Itapoá e seu entorno.
Guará (Eudocimus ruber)
A cor vibrante que define o guará é resultado de uma dieta à base de caranguejos e crustáceos ricos em carotenoides, substância que faz com que as penas desenvolvam uma cor vermelha intensa quando a ave atinge a maturidade. Curiosamente, esses animais nascem com uma coloração cinza-amarronzada e só ganham o tom vermelho através da alimentação, funcionando como um verdadeiro termômetro da saúde biológica das áreas costeiras.
Com bicos longos e sensíveis, eles realizam uma varredura precisa na lama dos manguezais para capturar presas, demonstrando uma adaptação evolutiva fascinante para a vida em zonas de maré. No início de 2026, além dos registros em manguezais da região, um grupo dessas aves foi registrado na faixa de areia de Itapoá, confirmando que a região continua sendo um ponto de parada e alimentação vital para a espécie em Santa Catarina.
Além da beleza, os guarás são extremamente sociáveis e costumam voar em bandos organizados, formando figuras em “V” de um vermelho vivo que contrastam com o azul do céu litorâneo. A presença desses indivíduos no monitoramento recente é um indicador positivo da qualidade ambiental, já que são aves exigentes quanto à pureza do habitat e à oferta de alimento.
Historicamente perseguidos pela plumagem, hoje são protegidos por lei e simbolizam o sucesso da conservação nos estuários brasileiros. Observar o retorno dessas colônias é ter a certeza de que o equilíbrio entre os mangues e o oceano está sendo preservado, permitindo que o ciclo de vida da espécie se complete com segurança.
Anta (Tapirus terrestris)
O registro de uma anta na Reserva Volta Velha no final de 2025 representa um marco histórico para a biodiversidade de Itapoá, consolidando a região como um refúgio essencial para a fauna da Mata Atlântica em Santa Catarina.
Conhecida como a jardineira da floresta, a anta desempenha um papel ecológico vital ao dispersar sementes de grande porte por vastas distâncias, garantindo a regeneração e a diversidade das matas locais de forma natural.
Por ser o maior mamífero terrestre da América do Sul e estar atualmente classificada como vulnerável à extinção, sua presença é um indicador direto da saúde ambiental e da integridade dos ecossistemas preservados na região.
Evolutivamente curiosa, ela é parente próxima dos cavalos e rinocerontes, possuindo uma espécie de “tromba” flexível que utiliza habilidosamente para alcançar alimentos em galhos altos e detectar odores com precisão extrema.
Além de ser uma excelente nadadora, que busca refúgio na água para escapar de predadores, a anta possui um ciclo reprodutivo notavelmente lento, com gestações que duram até treze meses e resultam em filhotes camuflados por charmosas listras brancas que desaparecem na fase adulta.
A presença deste indivíduo reforça a necessidade estratégica de manter corredores ecológicos funcionais que conectem as áreas verdes de Itapoá, permitindo que espécies sensíveis sobrevivam às pressões urbanas e ao desenvolvimento constante.
Onça-parda (Puma concolor)
O registro de uma onça-parda nas imediações de Itapoá no início de 2026 destaca a importância da preservação ambiental para a manutenção do segundo maior felino das Américas em solo catarinense.
A espécie é mestre da adaptação, ocupando desde florestas densas até áreas montanhosas com uma agilidade que a torna um predador de topo essencial para o equilíbrio ecológico local.
Uma das características mais notáveis deste animal, também chamado de suçuarana, é sua incrível capacidade física, possuindo patas traseiras muito potentes que permitem saltos verticais de mais de cinco metros de altura.
Diferente da onça-pintada, a onça-parda não possui a capacidade de rugir, emitindo sons que lembram um ronronar ou gritos, devido à anatomia específica de sua garganta.
Sua pelagem uniforme, que varia entre tons de bege e avermelhado, oferece camuflagem perfeita para caçadas solitárias, que ocorrem predominantemente em períodos crepusculares.
Por possuir uma dieta generalista, ela ajuda a controlar a população de diversos animais, desde pequenos roedores até grandes veados, garantindo a saúde do ecosistema.
Tamanduá-mirim (Tamandua tetradactyla)

O tamanduá-mirim, conhecido como tamanduá-de-colete devido ao padrão de pelagem que lembra um “colete”, é um mamífero típico das Américas, encontrado desde a América Central até grande parte da América do Sul, inclusive em várias regiões do Brasil.
Uma das principais características do tamanduá-mirim é sua alimentação. Ele se alimenta quase exclusivamente de formigas e cupins, usando sua língua longa e pegajosa, que pode chegar a mais de 40 centímetros. Ele não possui dentes, engolindo os insetos inteiros, e o estômago forte é responsável por triturar os alimentos.
Fisicamente, o tamanduá-mirim tem um visual marcante. Seu corpo é coberto por pelos amarelados ou dourados, com uma faixa preta em forma de colete que dá origem a um de seus nomes populares. Possui um focinho comprido e garras grandes e afiadas, especialmente nas patas dianteiras, usadas tanto para abrir cupinzeiros quanto para se defender de predadores.
Apesar de parecer lento e dócil, pode ser bastante agressivo quando ameaçado. Ele costuma se apoiar nas patas traseiras e na cauda, ficando em posição ereta para usar suas garras como arma. Em situações de estresse, solta um cheiro desagradável que inibe o ataque de predadores. Além disso, tem audição e visão pouco desenvolvidas, mas olfato apuradíssimo.
A reprodução da espécie também chama atenção. A fêmea geralmente dá à luz apenas um filhote por vez, que nasce já com garras e permanece agarrado às costas da mãe durante os primeiros meses de vida.
É um animal solitário e de hábitos variados, podendo ser ativo tanto durante o dia quanto à noite, dependendo do ambiente e da presença humana. Também é um excelente escalador, passando boa parte do tempo em árvores.
O tamanduá-mirim é essencial para o equilíbrio ecológico, já que ajuda no controle de populações de insetos.
Macaco-prego (Sapajus nigritus)
Registrado nas imediações de Itapoá, do macaco-prego demonstra a importância da preservação do meio ambiente para manter o equilíbrio da natureza.
É um dos primatas mais conhecidos da fauna brasileira, ocorrendo principalmente na Mata Atlântica, sendo encontrado nos estados do Sul e Sudeste do Brasil.
Uma das maiores curiosidades sobre o macaco-prego é sua capacidade cognitiva avançada. Ele é considerado um dos primatas não humanos mais inteligentes do mundo, sendo capaz de usar ferramentas, como pedras para quebrar frutos duros e sementes.
O macaco-prego possui uma alimentação bastante variada, sendo classificado como onívoro. Sua dieta inclui frutas, sementes, insetos, ovos, pequenos vertebrados e brotos de plantas.
Fisicamente, apresenta pelagem geralmente escura, variando entre o marrom e o preto, com um “topete” característico sobre a cabeça. Sua cauda é longa e preênsil, usada para equilíbrio e locomoção.
São animais sociais que vivem em grupos organizados, com hierarquias bem definidas e comunicação baseada em vocalizações, expressões faciais e gestos.
A reprodução da espécie chama atenção, com gestação de aproximadamente 4 meses. A fêmea geralmente dá à luz apenas a um filhote, que permanece sob seus cuidados por 1,5 a 3 anos, com forte vínculo materno e comportamento de comunidade onde outros membros do grupo auxiliam nos cuidados dos filhotes.
São fundamentais para os ecossistemas, atuando na dispersão de sementes e no equilíbrio ambiental.
Saíra-sete-cores (Tangara seledon)

A saíra-sete-cores é frequentemente descrita como uma das aves mais espetaculares do mundo, devido à sua plumagem exuberante que combina tons de verde, azul, amarelo, laranja e preto em um padrão único.
Curiosamente, essa coloração vibrante não serve apenas para beleza, mas funciona como uma camuflagem eficiente sob a luz filtrada pelas copas das árvores, onde as cores se misturam aos reflexos das folhas e frutos.
Habitante endêmica da Mata Atlântica, desempenha papel fundamental na ecologia da floresta ao se alimentar de pequenos frutos e insetos, atuando como importante dispersora de sementes.
Em meados de 2025, exemplares dessa espécie foram monitorados na Reserva Volta Velha, em Itapoá, reforçando a importância da preservação das matas para a sobrevivência de aves tão especializadas.
Uma característica fascinante é sua sociabilidade, sendo comum encontrá-la em bandos mistos, onde diferentes espécies de aves se unem para buscar alimento e aumentar a vigilância contra predadores.
Possui metabolismo acelerado e está em constante movimento, saltando entre galhos com grande agilidade.
O ninho é construído em formato de taça e cuidadosamente escondido em meio à vegetação densa para proteção dos ovos.
Sua presença é um indicador de qualidade ambiental, pois depende de florestas bem preservadas para encontrar alimento e se reproduzir.


